Ipanguaçu: o “epicentro do calor” no RN mantém liderança nos termômetros em 2026
IPANGUAÇU (RN) — Localizada no coração do Vale do Açu, a cidade de Ipanguaçu consolidou sua reputação como uma das mais quentes do Brasil. Conhecida historicamente por registrar temperaturas extremas, o município iniciou 2026 mantendo presença constante nos relatórios do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) entre as maiores temperaturas do país.
Um fenômeno geográfico
O calor intenso em Ipanguaçu não acontece por acaso. A combinação de baixa altitude, vegetação predominante de caatinga e a própria geografia da região favorece a retenção térmica. Enquanto cidades litorâneas recebem a influência da brisa marinha, Ipanguaçu enfrenta um calor seco e persistente, típico do interior semiárido.
Neste verão de 2026, a cidade tem aparecido repetidamente entre as dez maiores temperaturas registradas no Brasil. Durante o mês de fevereiro, por exemplo, enquanto uma onda de calor atingia o Sul do país, Ipanguaçu manteve temperaturas acima dos 38 °C em diversos dias consecutivos.
O “novo normal” climático
Embora o recorde absoluto de temperatura no Brasil pertença à cidade de Araçuaí, em Minas Gerais — que registrou 44,8 °C em 2023 — especialistas apontam que Ipanguaçu se destaca pela frequência do calor intenso.
De acordo com meteorologistas, o município passa longos períodos do ano com temperaturas variando entre 37 °C e 40 °C. Esse padrão tem reforçado a imagem da cidade como um dos pontos mais quentes do país de forma constante.
Impactos e adaptação
Para os moradores, conviver com o calor extremo é parte da rotina. A economia local, baseada principalmente na fruticultura irrigada, precisa lidar com altos índices de evaporação e demanda constante por água.
Além disso, o consumo de energia elétrica aumenta significativamente nos períodos mais quentes, tornando o planejamento hídrico e energético uma prioridade para produtores e autoridades locais.
Contrastes do clima no sertão
Apesar do calor predominante, o clima da região também apresenta extremos. Em janeiro de 2026, Ipanguaçu registrou um dos maiores volumes de chuva do estado em um único dia, com 36,7 milímetros acumulados em 24 horas — um contraste que evidencia a variabilidade climática do sertão potiguar.
