DE ASSÚ PARA MOSSORÓ!

IN-MEMÓRIA: Pouca gente sabe: o Mossoró Cidade Junina foi criado por um assuense!

O Arquiteto da Cultura: a jornada de Antônio Gonzaga Chimbinho, idealizador do Mossoró Cidade Junina

Mossoró (RN) — A história de um dos maiores eventos culturais do Nordeste passa pela visão de um educador nascido no interior do estado e que acreditava no poder da cultura como motor de desenvolvimento. Natural de Assú, o professor Antônio Gonzaga Chimbinho foi o responsável por idealizar e estruturar o Mossoró Cidade Junina, hoje considerado um dos maiores festejos juninos do Brasil.

Mais do que uma grande festa, o projeto criado por Chimbinho transformou a forma como Mossoró celebra suas tradições e projetou a cidade para todo o país.


De festas de bairro a um grande evento cultural

Antes da criação do MCJ, os festejos juninos em Mossoró eram realizados de forma isolada em diferentes bairros, cada um com seu próprio arraiá, quadrilhas e fogueiras. Embora populares, essas celebrações não tinham uma estrutura unificada capaz de projetar a cidade nacionalmente.

A mudança começou em 1997, quando Chimbinho, à frente da Fundação Municipal de Cultura durante a gestão da então prefeita Rosalba Ciarlini, apresentou um projeto ousado: reunir todas as manifestações juninas em um único grande evento.

A proposta era transformar a tradição popular em um forte produto cultural e turístico. Assim, em 22 de maio de 1997, foi oficialmente lançado o Mossoró Cidade Junina.

Um dos primeiros passos foi transformar a antiga estação ferroviária da cidade na Estação das Artes Elizeu Ventania, espaço que se tornaria um dos principais palcos da festa.


Cultura como motor de desenvolvimento

O projeto idealizado por Chimbinho deu origem ao chamado Corredor Cultural, área que concentra grande parte das atrações do evento e que hoje atrai mais de 1 milhão de visitantes todos os anos.

Em reconhecimento ao idealizador do projeto, o espaço recebeu o nome oficial de Corredor Cultural Professor Gonzaga Chimbinho, mantendo viva a memória de quem transformou a cultura em estratégia de crescimento para Mossoró.


Trajetória acadêmica e contribuição ao estado

A atuação de Chimbinho também foi marcante na educação e na gestão pública do Rio Grande do Norte.

Entre seus principais feitos estão:

  • Reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) entre 1989 e 1993, período de consolidação e expansão da instituição.
  • Participação na criação e execução de grandes projetos culturais da cidade.
  • Idealização do espetáculo Auto da Liberdade, que retrata momentos históricos de Mossoró, como a libertação dos escravos, o motim das mulheres, o primeiro voto feminino e a resistência ao bando de Lampião.

Um legado que permanece

O professor Antônio Gonzaga Chimbinho faleceu em 2013, após enfrentar um câncer, mas deixou um legado permanente para a cultura potiguar.

Além do nome do corredor cultural, a Câmara Municipal mantém viva sua memória com o Troféu Gonzaga Chimbinho, concedido a personalidades que se destacam na promoção da arte e da cultura popular.

A própria ex-prefeita Rosalba Ciarlini já destacou a importância do educador:

“O Mossoró Cidade Junina é hoje um dos grandes eventos nacionais. Precisamos sempre registrar a importância de pessoas como o professor Antônio Gonzaga Chimbinho, fundamental para o projeto do nosso São João.”


A história do assuense que ajudou a transformar Mossoró em referência nacional nos festejos juninos mostra que visão, planejamento e valorização cultural podem gerar identidade, turismo e desenvolvimento para toda uma região.

Jarbas Rocha

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